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MADRI

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Viagens e Turismo em Madri (Madrid)

 

 

Turismo Madri (Madrid) - Espanha

 

SURPREENDENTE MADRI

Vinte anos depois da morte de Franco, a capital da Espanha brilha como nunca. Renovada pelo ritmo frenético da movida, mas conservando suas melhores tradições, Madri não pára de crescer e de surpreender a quem a visita ou revisita

Se Dom Quixote, de Cervantes, via lá seus moinhos imaginários, olhar a Espanha de hoje pela lente luminosa da ficção é, no mínimo, um exercício coerente e possível. Assim sendo, imaginemos o generalíssimo Franco, uniformizado e cheio de galardões, emergindo, vinte anos depois de sua morte, das profundezas do mausoléu que mandou escavar nas paredes de granito da Serra de Guadarrama, dentro da província de Madri. Sua primeira reação, provavelmente, seria de conforto, eis que sua tumba, no Valle de los Caídos, tem uma atmosfera tão sombria como a da própria Espanha que liderou com mãos de ferro até morrer, em 1975. Desse momento em diante, porém, nosso Franco ressuscitado só teria dissabores. Não seria preciso nem mesmo que chegasse à Plaza del Sol, no centro de Madri, alguns quilômetros adiante, para perceber que, nessas curtas duas décadas, o país caminhou exatamente no sentido oposto ao que ele conduzia.

É previsível até que, ao ver sua capital tão mudada e fervilhante, Franco desembainhasse sua espada, gritasse um irado Por Diós e conclamasse seus antigos correligionários a uma nova guerra civil, como a que matou um mi-lhão de espanhóis na primeira metade deste século. Mas, fora uma meia dúzia de gatos-pingados saudosistas, o máximo que Franco conseguiria reunir, nesta suposta reencarnação, seria uma platéia de gente espantada com sua patética figura. No meio da qual poderia estar, por exemplo, o cineasta Pedro Almodóvar, filmadora em punho, registrando cenas para um novo longa-metragem que poderia batizar, sem muita criatividade, de Ditador à Beira de um Ataque de Nervos...

Almodóvar, aliás, é uma das mais conhecidas caras do movimento chamado la movida, uma incontrolável revolução cultural que vem chacoalhando os alicerces da Espanha desde meados da década de 80. Assim como ele, milhares de cabeças pensantes da geração pós-Franco aceleraram o país a um ritmo alucinante. Fosse para tirar o atraso em relação aos vizinhos países europeus, fosse para esquecer das longas décadas de opressão, o fato é que la movida pôs a Espanha para correr como nunca. A economia foi modernizada, a corrupção endêmica diminuiu sensivelmente e a alma farrista dos espanhóis voltou à tona, produzindo novos talentos e enorme avanço cultural. O país integrou-se à Comunidade Européia, organizou a Feira Mundial de Sevilha, as Olimpíadas de Barcelona, e deu ao mundo provas de sobra de que havia retomado o caminho que já fez dela um dia a maior nação da Terra, responsável, entre outras pequenas façanhas, pelo descobrimento da América.

É essa Espanha liberta de fantasmas que o suposto fantasma de Franco reencontraria. Um país de muitas capitais, mas que, tanto do ponto de vista político quanto turístico, começa mesmo em Madri. Essa cidade surpreendente que, para os padrões europeus, é quase uma criança. Mais jovem, por exemplo, que São Paulo. Historicamente muito menos importante do que a vizinha Toledo, palco de grandes batalhas e castelos de grandes reis do passado. Geograficamente menos estratégica que Barcelona, sua eterna rival no posto de cidade número 1 da Espanha, situada à beira do Mediterrâneo. Arquitetonicamente menos impressionante que Sevilha, Málaga, Córdoba e outras cidades que herdaram da ocupação moura construções exóticas, com arcos trabalhados e abóbadas engalanadas. Mas, apesar de todos esses handicaps, uma cidade bela, ampla e cosmopolita - a que os locais se referem como Madriz, enfatizando o z inexistente - que é, de fato, o coração da grande corporação multinacional que atende pelo nome de Mundo Hispânico.

Não é preciso nem estar morto há vinte anos como Franco para levar um susto com a nova cara de Madri. Basta você não ter passado por lá nos últimos cinco anos para ficar espantado. A cidade se modernizou. Há largas freeways onde antes não havia nada. Há bairros modernos, de arquitetura arrojada, onde antes havia descampados e acampamentos de ciganos. Há discotecas efervescentes vazando de gente a noite toda em prédios onde outrora viveram marqueses e barões empoados, E, acima de tudo, há jovens bebendo cañas (cervejas) por todos os cantos. Pode parecer incrível, mas os espanhóis gostam tanto da loirinha como alemães e nórdicos. Claro que não desprezam também o jerez, o conhaque famoso, e o vermute (o qual chamam de bermu). Mas a caña vem na frente. O índice de bares por quilômetro quadrado em Madri, especialmente em bairros boêmios como Malasaña e Hortaleza, é proporcional à sede de viver que os madrilenos exibem desde que a liberdade voltou.

Em nenhuma outra capital da Europa, nem mesmo em Paris, a vida noturna é tão intensa. Não importa o dia da semana, nem a época do ano: todo mundo sai de casa o quanto pode. Do rei Juan Carlos, que volta e meia é visto roncando sua moto pelas ruas sem nenhuma escolta, ao mais ínfimo dos plebeus, todo mundo vive intensamente na capital da Espanha. "Se é fato que o homem passa um terço de sua vida dormindo, os madrilenos parecem decididos a que este terço seja o último", graceja um funcionário do Departamento de Turismo de Madri, pronto para iniciar seu périplo pelos bares assim que o expediente se encerrar.

A coisa é tão profunda que chega ao paroxismo. Se você quiser, por exemplo, beber umas cañas e chacoalhar o esqueleto no Yasta (Calle Valverde, 10), não adianta aparecer antes das 6 da manhã. É nessa hora, com os primeiros raios de sol, que a casa abre suas portas para receber uma pequena parte dos notívagos que fazem fila em sua porta. Outra grande atração das últimas temporadas madrilenas é a chamada - sabe-se lá por que - Rota do Bacalhau. Trata-se, vejam só, de um itinerário de bares nos quase 400 quilômetros que ligam Madri a Valência. Todas as sextas-feiras, chova ou faça sol, centenas de grupos percorrem esse roteiro, dançando salsas, merengues e pasos-dobles. A jornada, sem nenhuma interrupção para dormir, só termina na noite de domingo. E na segunda está todo mundo no batente!

Para um povo que há vinte anos não podia sequer se reunir em praça pública, convenhamos que é um avanço e tanto. Ou uma retomada, se levarmos em conta que a tertúlia, que vem a ser a discussão de um tema qualquer por um grupo de pessoas, é uma das mais caras tradições madrilenas. Espanhóis, como se sabe, adoram discutir. Eles mesmos se divertem com o tema e brincam com a idéia de que, em seu país, "há um rei profissional e 40 milhões de reis amadores". Desde que Madri se viu subitamente promovida de fortaleza de Magerit a capital do Reino da Espanha pelo religiosíssimo rei Felipe II, em 1561, os madrilenos saem às ruas para debater e discutir. Em parte porque viver ao ar livre é recomendável nessa região de verões tórridos, onde a estufa é abastecida pelo vento quente soprado do norte da África. Em parte, também, porque o espanhol é um povo forjado por tantas raízes diferentes (de ibéricos a mouros, de romanos a judeus) que a existência de pontos de vista discordantes é de ordem atávica. O único tema que não se discute hoje por aqui é a autoridade do rei Juan Carlos de Borbón. Atlético e jovial, o monarca que foi ironicamente instalado no poder pelo generalíssimo Franco para ser uma espécie de fantoche das autoridades militares acabou assumindo seu posto de fato e de direito quando, em 1981, apoiou a democracia e abortou uma tentativa de golpe de Estado liderada por viúvas de Franco. Desde então, Juan Carlos é o fiador dos governos espanhóis. E, desde então, as lideranças espanholas estão entre as mais jovens e modernas da Europa.

Isto posto, fica mais fácil entender as mudanças que estão ocorrendo em Madri. O velho charme das tavernas do Casco Viejo (que é como se chama a região central da capital, próxima à belíssima Plaza Mayor) continua intato. Mas ganhou mais brilho com a volta das tunas, os grupos de estudantes que todas as noites circulam pela região tocando violões e entoando antigos sucessos espanhóis em troca de pesetas eventualmente doadas pelos ouvintes. O Paseo de La Castellana, com seus jardins frondosos, conserva sua reputação de avenida mais longa e bela da Espanha, mas ficou mais europeu sem o policiamento ostensivo dos tempos de Franco e com a saudá-vel mescla entre madrilenos da antiga, com suas boinas inconfundíveis, e madrilenos da movida, vestidos ao melhor estilo Greenwich Village. Até o Museu do Prado, já de antanhos um dos mais importantes acervos artísticos do mundo, ganhou mais destaque. Eis que, em suas imediações, um antigo hospital decadente foi transformado no Centro de Arte Reina Sofia, que já nasceu com um dos mais ricos acervos de arte contemporânea do Ocidente. Para lá foram conduzidos os magistrais trabalhos de Miró e Picasso (artistas espanhóis que se exilaram durante o regime franquista), além do melhor de Dalí, Magritte e outros gênios da pintura e da escultura modernas. Também para o Reina Sofia foi levado o colossal Guernica, de Picasso, considerado por muitos o mais expressivo retrato artístico do século 20 e que até há pouco tempo ocupava o Pavilhão do Retiro, no Museu do Prado. E, para completar a fartura artística da região que os madrilenos passaram a chamar de "milha de ouro", na mesma avenida (o Paseo del Prado) instalou-se o Museu Thyssen-Bornemisza, com 800 obras relevantes, do Renascimento ao Impressionismo, antes pertencentes à coleção privada do barão Thyssen (um estrangeiro que se apaixonou por uma espanhola e, como prova de afeição suprema, legou tudo o que tinha à Espanha e, por meio dela, ao mundo).

É verdade que nem tudo mudou. As touradas, por exemplo, sobreviveram à crescente maré ecologista e Madri continua sendo o grande templo do Olé! Entre o segundo domingo de março e o último de outubro, a Plaza de Toros de las Ventas - a maior do mundo, em seu estilo neomourisco - continua sediando centenas de corridas, com touros e homens se enfrentando numa batalha de morte. Madrilenos da gema ainda se emocionam até o fundo de suas almas com o bailado das capas vermelhas e aguardam ansiosos o fim do inverno, quando, sob a proteção de San Isidro, há um mês inteiro de corridas diárias. Os touros já não são tão valentes, pelo menos na opinião de boa parte dos entendidos - e olha que eles entendem tanto do tema que há até uma famosa escola de tauromaquia em Madri. E os toureiros? Também não se fazem mais craques da estirpe de um El Cordobês, por exemplo, se bem que há quem discorde e, em havendo discussão, o jeito é encostar a barriga numa barra (balcão) e pedir umas cañas, que é conversa para a noite toda. Fome?

Em Madri ninguém passa. O hábito de oferecer aperitivos diversos (frutos do mar, empadas, chouriços, frios ou o que seja) aos clientes - as chamadas tapas - é provavelmente um dos mais deliciosos da cidade. Você pede cerveja e ganha calamares. Pede outra e ganha um saboroso prato de presunto defumado. Pede a terceira e lá vêm umas berinjelas temperadas. E assim vão se acumulando os cálices das cañas e as montanhas de tapas, porque a pendenga, mesmo, esta não vai se resolver nunca.

Mas nem só de bebidas e aperitivos vivem os espanhóis. Eles também comem - e como! O cochinillo (leitãozinho assado) é apenas o mais importante dos itens de um cardápio de características orgiásticas numa cidade que tem alguns dos melhores restaurantes do mundo. Mas há outros, milhares de outros. Na mesa, alegremente envolvidos pela fartura, é que os madrilenos revelam o mais cruel de seus instintos: a arrogância. "Em lugar nenhum se come como aqui", jactam-se eles, com aquele olhar de superioridade que faz os demais espanhóis chamarem-nos de chulos, que significa esnobes, com um tom um pouco mais pejorativo. Pergunte a um catalão, a um basco, a um andaluz ou a um aragonês e você sempre ouvirá, com o mesmo rancor, que os castelhanos (gente da Província de Castela e Leão, onde fica a capital) são chulos. Ao que o castelhano responderá, sem pestanejar: "Ser espanhol é uma alegria. Ser castelhano é um título".

É briga pra mais de metro. O regionalismo, com vertentes separatistas, é velha questão espanhola, abafada à força de cassetetes pelo regime franquista. Nada tão suave quanto a rivalidade entre paulistas e cariocas ou gaúchos e catarinenses. Felizmente, fora um outro exagero do ETA - o violento exército separatista basco -, a questão está controlada. Cada um na sua, todos juntos usufruindo o milagre econômico espanhol. E, graças à tecnologia, mais próximos. Desde 1982, Madri está ligada a Sevilha pelo AVE - Alta Velocidad de España -, um trem que, a 250 quilômetros por hora, diminui a distância entre as duas cidades para pouco mais de duas horas. Vem aí, também, o AVE para Barcelona e de lá para Paris. Todos partindo da antiga estação de Atocha, cuja belíssima estrutura de vidro e metal foi transformada numa estufa, sob a qual viceja um belo bosque e um simpático centro de lazer. Atocha, aliás, é uma amostra da imensa mistura de estilos que caracteriza (ou descaracteriza) Madri. Você não vê prédios com arquitetura semelhante como, por exemplo, vê em Paris. Do neogótico ao neobarroco, passando pelo grandiloqüente estilo fascista, Madri é uma grande salada arquitetônica, talvez por isso mesmo fascinante. Do Palácio do Oriente (a residência oficial dos reis) ao Palácio das Comunicações (considerado o auge do kitsch espanhol), nada é realmente importante do ponto de vista artístico. A própria estátua de Cibeles, entronizada num chafariz no estratégico cruzamento da Calle Alcalá com o Paseo de la Castellana - e que muitos madrilenos consideram o símbolo da cidade -, não vale mais do que a moldura de um dos quadros de Goya ou Velasquez no Museu do Prado. Mas a mistureba, originária de duas dinastias diferentes - a dos Habsburgos e a dos Borbóns - e de influências austríacas, francesas, italianas e holandesas, forma um conjunto urbano diferenciado e harmônico em suas contradições. Junte-se a isso a notável porcentagem de áreas verdes proporcionada pelos imensos parques públicos, que, somados, fazem de Madri uma das capitais mais verdes do mundo, e você terá uma cidade fascinante.

Há parques notáveis na capital da Espanha. Com seus 130 alqueires esparramados pela área central da cidade, o Retiro é uma espécie de Central Park de Madri. É para lá que conflui a população nos fins de semana e cada árvore é uma bênção na terapia das ressacas da noite anterior (as cañas, lembra-se?). Há quem prefira o Campo del Moro, que é como se chamam os jardins do Palácio Real, quase sempre abertos para os súditos. E os que têm crianças optam, em geral, pelo Parque del Oeste, onde um teleférico conduz ao zoológico municipal. Há, ainda, o novíssimo Campo das Nações, que, além de espaço para o lazer, é um avançadíssimo e concorridíssimo centro de congressos e exposições. E o menos afamado, mas imensamente grande, Parque da Casa de Campo, que durante a semana costuma ser freqüentado - quem diria! - por travestis brasileiros.

Entre tantas árvores, enfim, cultiva-se uma cidade que hoje tem 4 milhões de habitantes e está crescendo para os lados, espalhada por condomínios fechados que avançam pelo subúrbio. Que tem, é claro, um trânsito de metrópole, aliviado por um eficiente sistema de metrô. Que tem requintes de mo-dernidade, como a novíssima Porta da Europa, um par de prédios construído com inclinação de 14,3 graus, que se debruça - com jeito de quem vai cair - sobre o Paseo de la Castellana. Que tem torcedores do Real e do Atlético de Madri, rivais tão ardorosos como palmeirenses e corintianos ou flamenguistas e vascaínos. Que tem um mercado de pulgas chamado El Rastro, onde se compra e se vende de tudo nas manhãs de domingo e onde se pratica a melhor tradição da pechincha ao estilo árabe. Que tem zarzuelas (comédias musicais) e tablados de flamenco para o povo e os turistas se divertirem. E que, depois de todo o agito, sempre tem um churro coberto de chocolate para se comer (o churro é uma antiga invenção madrilena, sabia?).

Você vai acabar se convencendo, como outros 60 milhões de turistas a cada ano, a dar uma bela passada por Madri. E, quando você estiver por aqui, aproveite para dar uma esticada até Toledo, Segóvia, Ávila, Aranjuez, O Escorial e outras atrações que ficam bem perto da capital. Inclusive o Valle de los Caídos, onde, como você verá, o generalíssimo Franco está enterrado. Para todo o sempre.

Para Comer como um Rei

Chega a ser injusto com tantos restaurantes madrilenos, como o ótimo Zalacaín, o deslumbrante Café de Oriente, a Casa Lúcio, o ancestral Botin, a Casa Paco e tantos outros que o destaque gastronômico desta reportagem seja um restaurante de Segóvia. Mas há um motivo, a que os próprios castelhanos se renderão. A Mesón de Cándido, situada exatamente ao lado do fabuloso aqueduto romano de 2 mil anos, que é a principal atração da cidade, é a única que tem um mesonero oficial de Castilla. Ou seja: um cozinheiro escolhido e aprovado oficialmente pelo próprio rei. Ele se chamava Cándido e tinha, por conta dessa honraria, uma bela medalha, hoje em poder de seu filho, que, claro, também se chama Cándido. Aqui, num ambiente rústico e aconchegante, freqüentado por nobres e plebeus famosos como Antonio Banderas e Mellanie Griffith, come-se o melhor (ou pelo menos o mais prestigiado) cochinillo da Espanha. Trata-se do Cochinillo Asado Presentado em Andas, que o próprio Cándido vêm à mesa cortar, munido apenas de um pequeno prato. O corte, sem faca, prova a maciez da carne. Absolutamente irresistível.

Qual é a diferença entre um leitão assado e outro leitão assado? Você pode não saber, mas o cozinheiro oficial do rei da Espanha há de lhe explicar. Trata-se, basicamente, da origem do porco. O porco servido na Méson de Cándido não é um exemplar comum. Trata-se de um porco ibérico, um animal que se alimenta exclusivamente de um tipo de romã abundante na Península Ibérica. O tal suíno não come qualquer coisa, como os outros. Por isso sua carne fica mais macia, menos gordurosa e mais apetitosa. Aliás, para evitar gordura adicional, os leitões consumidos no restaurante de Segóvia têm apenas duas semanas de vida. Se você for um ecologista ou um vegetariano, a recomendação fica sendo até de mau gosto. Se você for um gourmet, não perca!

Shopping In Madri

A BELA CERÂMICA DE TOLEDO Não é exatamente de Madri, mas vale a pena ir buscar na vizinha Toledo.

HERANÇA MOURA Os trabalhos de damasquinaria, com metais nobres incrustados, são parte do legado árabe aos espanhóis.

O MAPA DA MINA A Feira do Rastro, um grande mercado de pulgas, é das grandes atrações dos domingos em Madri. Ali você encontra de tudo, principalmente badulaques de má qualidade. Mas, garimpando, dá para encontrar boinas tipicamente madrilenas por preços mais que razoáveis.

QUE VENGA EL TORO Cartazes de tourada com o nome do freguês gravado são mais manjados do que andar para a frente. Mas não dá para voltar de Madri sem um deles.

LEQUES O leque de abano é uma tradição imutável da vida espanhola. Há de tudo para escolher, com o motivo que você preferir. Os mais sofisticados são caros.

O melhor dos Museus

É recomendável que você veja todas as obras do Museu do Prado. Mas, se faltar tempo, não perca:

1 De Goya: A Maja Desnuda, A Maja Vestida, A Família de Carlos IV, a Série Negra e o impressionante Fuzilamento na Montanha do Príncipe Pio.

2 De Velasquez: O Triunfo de Baco, As Lanças, O Príncipe Baltazar Carlos e, claro, As Meninas, sua obra maior.

3 De El Greco: A Adoração dos Pastores.

4 De Rubens: As Três Graças.

5 De Hioeronymus Bosch:

O Jardim das Delícias e

O Carro de Feno.

6 De Fra Angelico: A Anunciação.

7 De Bruegel: O Triunfo da Morte

8 De Tintoretto: A Lavagem dos Pés.

9 De Caravaggio: Davi, o Vencedor de Golias.

10 De Rembrandt: Artemesia.

FICAR

Hotel Palace - desde a sua inauguração, em 1912, é um dos clássicos de Madri. Um autêntico palácio, construído no reinado de Afonso XVII, o Palace tem 500 apartamentos, fica na região mais nobre da cidade, em frente ao Museu do Prado, e possui uma cúpula de vitrais pintados que é uma atração à parte. Entre outros hóspedes famosos, já recebeu Mata Hari e o presidente Kennedy.

Hotel Ritz - outra jóia de sofisticação. Desde 1910, aparece com freqüência na relação dos dez melhores hotéis do mundo. Seus 156 quartos têm roupa de cama de linho inglês bordadas à mão e a geléia caseira é servida em recipientes de prata. Se você não puder se hospedar no Ritz, não deixe de passar por lá no fim da tarde para tomar um de seus famosos chás.

Hotel Monaco - um dos melhores hotéis baratos de Madri. Fica numa ruela perto da Gran Via, numa região repleta de bares. No passado, ali funcionou um bordel. E a decoração extravagante de hoje não nega sua origem. Tem apenas 33 quartos.

COMER

Zalacaín - O mais sagrado (e caro) dos templos gastronômicos de Madri. Considerado também um dos melhores restaurantes do mundo, embora você vá ter de pagar bem pago pelo privilégio de tirar a dúvida. Pratos exóticos, vinhos raros, tudo sob o comando do chef Javier Oyarbide de Zalacaín. Um garçom para cada cliente.

Café de Oriente - Fica exatamente na frente do Palácio Real e, embora esteja prejudicado por uma obra que está modernizando a Praça do Oriente, se esforça para manter a qualidade dos serviços. Funciona no antigo Monastério de San Gil. Em cima, o bar, sempre muito concorrido. Embaixo, o restaurante, que inclui a exclusiva sala do rei. De fato, Juan Carlos aparece de vez em quando por lá. Misto de cozinha espanhola com nouvelle cuisine.

Botín - Tudo para você curtir. É o restaurante mais antigo do mundo, reconhecido pelo Guinness. Hemingway costumava comer por aqui e até o citou em um de seus livros. Goya, o fabuloso pintor, lavou pratos por aqui. O cochinillo assado é maravilhoso. E os preços são mais que aceitáveis.

Casa Lúcio - restaurante muito popular entre o que se pode chamar de aristocracia espanhola. O próprio Lúcio (Lúcio Blazquez) comanda a recepção pessoalmente e tem um álbum que mostra que, entre outros, seu restaurante já foi visitado pelo rei Juan Carlos, por Antony Quinn, Gabriel Garcia Marquez e... Marly Sarney.

La Bola - Há mais de cem anos, um grande especialista no cozido madrileno, o chamado puchero, servido em cumbucas especiais. Sempre cheio, fica num bom lugar, mas tem uma certa arrogância castelhana que você talvez não vá gostar.

Casa Paco - No meio do Casco Viejo, uma taverna castelhana autêntica, repleta de fotos de clientes importantes, entre os quais o rei Pelé. Tem uma carne inigualável, servida num prato tão quente que serve para assá-la na frente do cliente. Experimente também as angulas com alho e óleo, servidas como entrada, precedidas de um jerez seco.

COMPRAR

Madri não é uma cidade barata para fazer compras. Tem de tudo, é claro, como qualquer metrópole moderna, mas os preços não são especialmente atraentes, nem mesmo para os brasileiros, que adoram comprar tudo o que podem.

O grande centro de compras é o bairro de Salamanca, onde existem várias vias com lojas sofisticadas de todos os tipos. As ruas Serrano, Goya e Velasquez são as mais importantes da região e uma travessa, chamada Ortega y Gasset, reúne o mais, mais das grifes internacionais, de Armani a Chanel. Passear pelo bairro é um grande barato e você vai encontrar algumas belas galerias. Entre as quais, o novíssimo Centro Comercial ABC-Serrano, um minishopping center que funciona no lugar onde se produzia o jornal ABC. Na frente dele, o Multicentro Serrano (Calle Serrano, 88) é outra opção, também cara.

La Vaguada - é o maior shopping center de Madri, fica num bairro afastado e nem se compara aos brasileiros. Mas vale conferir.

VIP’s - uma rede de lojas de conveniência, em geral abertas durante toda a noite, para acompanhar o pique irresistível da moçada de Madri. Como todas as lojas de conveniência, nada é barato, mas tudo é muito conveniente. São onze endereços por toda a cidade.Você vai achar o seu.

Na Gran Via - há uma infinidade de lojas. Destaque para a ASI, que vende bonecas de todos os tipos, inclusive de porcelana. Fica no número 47. Na mesma rua, no 29, você pode encontrar a Casa del Libro, a maior livraria do país. Outra boa idéia é a Real Musical, uma das muitas e a mais completa casa de instrumentos musicais e partituras da Espanha. Fica na Calle de Carlos II.

FAZER A CABEÇA

Madri tem três dos melhores endereços do mundo para quem quer fazer a cabeça. Um quase do lado do outro:

Museu do Prado - Provavelmente a mais importante exposição de pintura clássica de todo o Planeta. A ala espanhola, com destaque para Murillo, Goya e Velasquez, é insuperável. A coleção italiana tem algumas das obras mais importantes de Fra Angelico, Botticelli e Tintoreto, entre outros. A ala flamenca vai de Rubens a Bosch e é das melhores dessa escola. Reserve pelo menos três horas para visitá-la. Aos domingos a entrada é gratuita, mas a fila é grande.

Centro de Artes Reina Sofia - Com pouco mais de três anos de vida, é a maior mostra de arte moderna da Espanha. E é bom lembrar que os espanhóis - Picasso, Miró e Dalí - são os mestres de arte moderna. No segundo andar, uma sala especial exibe Guernica. Só esse quadro justifica a visita e a viagem.

Museu Thyssen-Bornemisza - Se alguma coisa falta no Prado, é só atravessar a rua e entrar nesse novo museu, que entre suas 800 obras tem italianos, flamencos e espanhóis clássicos, além de um acervo de impressionistas franceses e obras modernas que estariam no Reina Sofia, se não estivessem aqui.

AGITAR

Na noite de Madri. Tudo é fantástico. Se você tiver pouco tempo, concentre suas atenções na Calle Arenal. São pelo menos três boas pedidas. O Palácio Gavíria, uma implausível casa noturna construída no palácio de um antigo amante da rainha Isabel II. São vários ambientes, cada um com um tipo diferente de música, onde os madrilenos exibem seu talento para "bailar" aperfeiçoado nas aulas de dança, que estão muito na moda. Bem ao lado fica a famosa discoteca Joy Eslava, num antigo teatro transformado, onde rola o maior som disco. Capital de todas as tribos.

E, quando você estiver disposto a voltar para o hotel, passe antes pela Churreria San Gines (atrás da igreja do mesmo nome e ao lado do Joy Eslava) para comer o mais antigo e delicioso churro da capital espanhola.

O QUE FAZER

1 DIA: Prepare-se para uma maratona. Vá logo cedo à Plaza Mayor e caminhe pelas ruelas do Casco Viejo. Sempre a pé, siga até o Palácio do Oriente (é pertinho), passando pelo mercado da Plaza San Miguel e pela prefeitura, que fica ao lado. Veja o palácio por fora e dê uma caminhada no Campo del Moro, que são os belos jardins do palácio. Não vale a pena entrar, porque um tour guiado dentro do palácio levará pelo menos uma hora. Retorne pela Calle Mayor, atento a cada fachada, e almoce bem e barato no Museo del Jamón (Calle Mayor, 7), deslumbrado com a tonelada de pernis pendurada nas paredes. Faça a digestão caminhando pela Calle del Prado e curta a deliciosa Plaza de Santa, antes de chegar ao Paseo del Prado. Você vai estar ao lado do Hotel Palace. Entre rapidinho e dê uma olhada no hall interno coberto por uma cúpula de vitrais pintados. Entre no Museu do Prado para uma visita mínima de duas horas. Ao sair, caminhe pela bela avenida em direção à estação de Atocha. Conheça ela por dentro, veja o trem de alta velocidade na plataforma e coma um churro num dos quiosques da região. Tome umas cañas no Café de Oriente, jante um cochinillo no Botin, dance no Palácio Gavíria (Calle Arenal, 9) e corte a ressaca com um café e um churro na Churreria San Gines, que fica ao lado.

3 DIAS: 1º DIA - Manhã na Plaza Mayor e Palácio do Oriente (com visita). Almoço às 2, no La Bolla. Passeio pela Gran Via, visita à Plaza de Espanha e poente no enorme mirante do Faro de la Moncloa, de onde se vê a cidade toda. Cañas na Calle de las Huertas, jantar na Casa Paco e noite no Palácio Gavíria.

2º DIA - Dedique aos museus. O Prado abre às 9. Almoce na Galeria Picasso, do outro lado da rua, anexa ao Hotel Palace. Fique uma hora no Museu Thyssen-Bornemizsa, corra até o Centro de Artes Reina Sofia e não saia sem ver Guernica. Bem em frente, visite a estação de Atocha. Jante no Zalacaín (é uma nota!) e estique para uma dança flamenca no Corral de la Moreria, o mais antigo tablado de Madri.

3º DIA - Manhã no Paseo de la Castellana (se for domingo, vá à Feira do Rastro, que é um programão. Veja o estádio do Real Madri, a Torre Picasso e os edifícios inclinados da Puerta de Europa. Almoce no Hispano (P. de Castellana, 78) e faça um longo passeio pelo Parque do Retiro. Na saída, compras nas butiques das Calles Serrano e Velasquez. Cañas aonde for, jantar no Café de Oriente e disco dance no Joy Eslava.

7 DIAS: Nos primeiros três dias, siga a programação sugerida, variando conforme seu pique. Depois é hora de visitar os arredores.

4º DIA - Vá para o Escorial e o Valle de los Caídos. O Monastério do Escorial é a mais monumental construção de Madri, se bem que fica afastado, aos pés da Serra de Guadarrama. Construído no século 16 pelo rei Felipe II, o gigantesco edifício tem 1 200 portas e 2 600 janelas. Para vê-lo em toda a sua grandeza, vá até o ponto chamado "Cadeira de Felipe II", um trono natural de pedras de onde se tem uma esplêndida vista. Depois entre no Monastério (opte por um tour guiado) e veja, entre outras coisas, o Pantheon dos Reis, onde estão os restos mortais de quase todos os monarcas espanhóis desde o reinado de Carlos V. Almoce na cidade e siga para o Valle de los Caídos, que não fica longe dali. Construído por Franco em homenagem aos mortos da Guerra Civil Espanhola, a obra é faraônica, mas impressiona por seu cruzeiro do tamanho de um prédio de cinqüenta andares e pela imensa basílica escavada na rocha, no fundo da qual o próprio Franco está enterrado.

5º DIA - É todo de Toledo. A 70 quilômetros de Madri, a belíssima cidade medieval numa curva do Rio Tejo (que aqui se chama Tajo) é um mostruário da ríquissima história da Península Ibérica, desde os tempos em que os reis visigodos instalaram ali sua corte, no século 6. Uma autêntica cidade medieval, repleta de atrações imperdíveis, entre as quais a catedral gótica construída entre o século 13 e 15, o Alcázar, destruído e reconstruído várias vezes depois de muitas batalhas, o Monastério de San Juan de los Reyes, construído pelos reis católicos, a Igreja de Santo Tomé, onde fica a obra máxima de El Greco, O Enterro do Conde Orgaz, e cada uma das vielas dos antigos bairros dos judeus e dos árabes. Almoce no esplêndido Parador, que fica do lado externo da muralha e de cujo terraço se vê a cidade toda, esplendidamente. Não deixe de provar o mundialmente famoso marzipã da cidade.

6º DIA - Viagem para Segóvia. Outro lugar imperdível próximo a Madri, do outro lado da Serra de Guadarrama, que se atravessa por um túnel. A cidade é medieval, muralhada, com um Alcázar sobre uma falésia que parece um castelo de contos de fada. Mas nem toda a beleza peculiar de Segóvia se compara à surpresa que você vai ter ao ver, numa das entradas da cidade, o monumental aqueduto romano de 2 mil anos, extraordinariamente conservado porque ainda estava em uso até há poucos anos. O aqueduto tem 728 metros de comprimento, 28 de altura e é todo de pedras que se auto-sustentam. Bem ao lado dele fica a Méson de Cándido, onde você não pode deixar de almoçar ou jantar.

7º DIA - Programação para um domingo (haverá um na semana!). Passe a manhã na Feira do Rastro, o curioso e agitadíssimo mercado das pulgas de Madri. Mas fique atento aos batedores de carteira. Dedique o período da tarde às touradas. Vá até a Plaza de Toros de Las Ventas, veja o espantoso espetáculo e tente entender por que os espanhóis vibram com certos movimentos e vaiam outros. Você pode achar a tourada uma crueldade, mas não pode deixar de vê-la.

MADRI é assim

Tempo e Temperatura

O inverno em Madri é mais clemente do que o do resto da Europa. Mesmo assim, faz frio. A máxima não passa dos 15 graus e a mínima chega aos 7. De qualquer forma, nada que não se possa suportar. Para quem vai caminhar - e é andando que se conhece melhor a capital espanhola - a temperatura é até agradável. Chove pouco na cidade o ano inteiro.

Boa Cerveja

Como já se disse, beber cerveja é um esporte popular em Madri. Qualquer bar, restaurante, confeitaria ou padaria tem uma torneira do que aqui chamamos de chope. Em garrafa, a marca de Madri é Mahou. Mas o melhor é sentar numa das deliciosas cervejarias. As melhores são La Dolores, na Plaza Jesus de Medinaceli, a Cervantes, que fica quase ao lado, e a Naturbier, que fabrica sua própria loirinha e fica na Plaza de Santa Ana, 9. Pede-se assim: caña (cálice), doble (copo) e barro (caneca).

Gorjeta

O serviço nunca vem incluído na conta de nenhuma refeição e não é obrigatório. Mas os próprios espanhóis costumam dar aos garçons uma modesta propina, que raras vezes chega aos 10%. Para o carregador de malas, dê 100 pesetas ou 200, se você vier carregado. No táxi, arredonde a conta se o motorista merecer. A maior parte deles é mal-humorada e vai tratá-lo mal com ou sem propina.

Que Roupa Usar

Bom: Madri é uma metrópole cosmopolita, intelectualizada, e você usa a roupa que quiser. Ninguém vai estranhar qualquer tipo de excentricidade. Mas, afinal, é a Europa, onde se cultiva a elegância. Portanto, não custa nada ter um paletó ou um tailleur, especialmente se você quer sentir-se em casa no chá da tarde do Ritz ou nos saguões do Palace. Nos museus, igrejas e palácios, não vá de short ou bermuda. Os que te deixarem entrar vão fazê-lo de má vontade. E, se você estiver indo logo, não esqueça o sobretudo.

Noches Calientes

Os horários de Madri são diferentes de tudo a que você está acostumado. O comércio abre das 10 às 14 e das 17 às 20, com longo intervalo para a siesta, à exceção de algumas lojas. Se você for jantar antes das 9 da noite, vai estar sozinho. Só após as 10 é que o povo aparece. Mas é depois do jantar que começam as intermináveis noites de Madri. Mais algumas dicas para entrar nos embalos da Capital: Archy (Fortuny com Marques de Riscal), Café Gijon (Paseo de Recoletos, 21), Cerveceria de Santa Barbara (Pl. de Santa Barbara, 8) e Casa Patas (Cañizares, 10), outro templo da dança flamenca.

 

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